Veja como proteger seus investimentos com operações de Hedge

Originalmente, hedge é uma palavra inglesa usada para nomear cercas vivas usadas para dar proteção a construções. No campo das finanças, é bem apropriado que ela seja usada para definir estratégias de redução de riscos, protegendo investimentos realizados por empresas e investidores.

Essas ações são indispensáveis no mercado financeiro. Afinal, todo ativo aplicado está exposto a certo risco, especialmente em ações com maiores taxas de rentabilidade. E você não pode deixar o patrimônio da sua empresa vulnerável.

O que é o hedge e como você pode usá-lo para continuar protegendo seus investimentos? Você terá as repostas neste post!

O que é hedge?

O hedge é uma ferramenta estratégica para proteger seus investimentos contra flutuações de preços. Por isso, ela é adotada em aplicações de renda variável.

Sua origem está no agronegócio, devido a uma peculiaridade do setor. Imagina um produtor que começa a preparar a safra e vai conseguir colher para a venda somente uns 4 ou 5 meses depois. Não há como saber se uma saca de café que está sendo negociada por R$ 350 na época do plantio valerá mais ou menos no momento da colheita.

Ao longo desse período, muita coisa pode acontecer para gerar oscilações nos preços de seus produtos, colocando em risco a viabilidade econômica da sua produção.

O hedge veio como uma solução. Por meio dessa estratégia, era possível “segurar” o preço, estabelecendo como que um “cerca” ou limite. No exemplo do café, o produtor poderia comprar um contrato futuro no valor de R$ 350. Assim, ele tem o direito de vender por esse preço na época da colheita.

Dessa forma, garante-se a venda da safra por valores justos, independentemente dos índices da bolsa de valores. Se o café desvalorizasse, ele teria o preço de R$ 350 garantido pela BM&F Bovespa. Se o produto valorizasse, não há a obrigatoriedade de usar esse direito. Trata-se então de uma proteção contra futuras variações nos preços.

Essa prática continua firme no agronegócio e se estendeu para outros setores da economia, como é o caso dos investimentos financeiros. Quem investe em renda variável está também sob o risco das oscilações do mercado, de modo que precisa adotar esse tipo de proteção.

Protegendo investimentos com hedge: como fazer?

No mercado de ações, existem diferentes formas de hedge. Apesar disso, funcionam com base em um mesmo princípio. Antes de escolher qual é o mais indicado no seu caso, conheça como funciona cada uma delas!

Hedge cambial

No geral, quando ações na Bolsa caem, dólar, euro e ouro costumam subir consideravelmente. Isso ocorre porque, em casos dúvidas no mercado, investidores estrangeiros retiraram seu dinheiro do Brasil, resultando em uma menor oferta de euros e dólares aqui no país. Essa escassez gera aumento de valor. O mesmo acontece com o ouro em momentos de crise econômica, porque ele é a própria concretização do dinheiro.

Assim, se você investiu em ações e a Ibovespa está no vermelho, os ativos cambiais vão subir. Entre eles, o dólar é o que apresenta valores mais interessantes.

Veja um exemplo de como funciona essa proteção. Digamos que uma empresa planeja comprar uma máquina dos Estados Unidos que custa U$ 400 mil dólares, o que daria cerca de R$ 1.500.000 no Brasil. Mas esse produto só ficará pronto daqui a 2 meses. Se o dólar desvalorizar, a empresa comprará mais barato. Mas se o dólar subir, mais caro ficará a máquina. Para se proteger dessa oscilação, o melhor caminho é comprar o dólar.

Em vez de comprar o dólar em espécie para guardar em local seguro, o que seria arriscado, o mais recomendado é usar uma corretora de valores para comprar em forma de ativos financeiros.

Hedge natural

Em alguns casos, o hedge pode acontecer sem que a empresa adote alguma ação para isso. É o que chamamos de hedge natural. É comum em ações de exportadoras, pois a companhia detém ativos e passivos no dólar, como quando importa um material e exporta o produto ou serviço tudo na mesma moeda. Assim, caso o real se desvalorize, a empresa aumenta sua receita.

Hedge em commodities

O hedge de venda de contratos futuros de commodities, como milho, café, soja e boi gordo, é muito comum e vantajoso. Por exemplo, digamos que um produtor de milho e calculou os custos da produção em U$ 27 por saca de kg, que está custando hoje U$ 42. Você teria uma margem de lucro de U$ 15.

Para segurar esse valor até a época da colheita o produtor faz uma operação de hedge ao vender uma certa quantidade de contratos de milho que vencerão em meados do ano, protegendo investimentos feitos na produção

Hedge em ações

O hedge também serve para dar proteção aos seus investimentos em ações. Digamos que você tem uma carteira no valor de R$ 10 mil. Para se proteger de uma suposta queda, é possível vender suas ações ou o volume financeiro no mercado futuro.

Nesse caso, bastaria vender R$ 10 mil minicontratos de índice. Se houver uma queda na bolsa, o hedge vai equilibrar o investimento e protegerá seu dinheiro por meio de um equilíbrio financeiro (perde-se na bolsa, mas ganha-se nos minicontratos).

Qual é o melhor tipo de hedge para cada tipo de investimento?

O melhor tipo de hedge para você seguir protegendo investimentos depende muito da sua estratégia. De qualquer forma, essa operação é indicada para qualquer investidor que deseja se proteger contra as flutuações do mercado, especialmente se você aposta na renda variável.

Adicionalmente, é essencial diversificar sua carteira de investimentos. Com isso, você evita deixar seu dinheiro em apenas um local, dividindo seu capital em diferentes ativos para dar maior segurança financeira.

O mercado de ações pode trazer grandes ganhos. Mas em momentos de crise, é possível que quedas na Bolsa representem um prejuízo considerável para as suas aplicações. Protegendo investimentos por meio de estratégias de hedge, você minimiza o risco de perder parte do seu patrimônio.

Quer manter seus investimentos ainda mais seguros? Saiba mais no nosso post Você sabe o que é o rebalanceamento de carteira? Aprenda aqui!

Empreendedor fun dador da Nexoos.Apaixonado por tecnologia e empreendedorismo, especialmente Fintech. Engenheiro de formação.

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